Fados
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Alfama

Lyrics by Pedro Ayres Magalhães
Music by Pedro Ayres Magalhães & Rodrigo Leão

Agora,
que lembro,
As horas ao longo do tempo;
Desejo,
Voltar,
Voltar a ti,
desejo-te encontrar;
Esquecida,
em cada dia que passa,
nunca mais revi a graça
dos teus olhos
que eu amei.
Má sorte,
foi amor que não retive,
e se calhar distrai-me…
- Qualquer coisa que encontrei.

Tomei a liberdade de por este poema/fado dos Madredeus. Haverá copyright?


Povo que Lavas no Rio

(Joaquim Campos/
Pedro Homem De Mello)

Povo que lavas no rio que talhas com teu machado
As tàbuas do meu caixão
Povo que lavas no rio que talhas com teu machado
As tàbuas do meu caixão
Hà-de haver quem te defenda, quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não

Fui ter à mesa redonda beber em malga que esconda
Um beijo de mão em mão
Fui ter à mesa redonda beber em malga que esconda
Um beijo de mão em mão
Era o vinho que me deste, àgua pura, fruto agreste
Mas a tua vida não

Aromas de urze e de lama, dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Aromas de urze e de lama, dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Povo, povo eu te pertenço, deste-me alturas de incenso
Mas a tua vida não

Povo que lavas no rio que talhas com teu machado
As tàbuas do meu caixão
Povo que lavas no rio que talhas com teu machado
As tàbuas do meu caixão
Hà-de haver quem te defenda, quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.


Madrugada de Alfama

Lyrics by David Mourão Ferreira

Mora num beco de Alfama
E chamam-lhe a madrugada
Mas ela de tao estouvada
Nem sabe como se chama.
Mora numa agua-furtada,
Que mais alta de Alfama
A que o sol primeiro inflama
Quando acorda a madrugada.
Nem mesmo na Madragoa
Ningum compete com ela,
Que do alto da janela
Tao cedo beija Lisboa.
E a sua colcha amarela
Faz inveja Madragoa:
Madragoa nao perdoa
Que madruguem mais do que ela.
Mora num beco de Alfama
E chamam-lhe a madrugada,
Sao mastros de luz doirada
Os ferros da sua cama.
E a sua colcha amarela
A brilhar sobre Lisboa
como estatua de proa
Que anuncia a caravela…


Eu Não Me Entendo

José Luis Gordo
José Mário Branco

Entrego a minha voz ao coração do vento
E quanto mais água dos meus olhos corre
Mais fogo acendo
Eu não me entendo
Eu não me entendo

E por ti já gastei o pensamento
Ai amor, ai amor, se o tempo
Já gastou, já gastou o nosso tempo
Eu não me entendo
Eu não me entendo

A primavera do meu tempo
Já gastei a primavera do meu tempo
Já fiz da boca jardins de vento
E não me entendo
E não me entendo
Eu não me entendo

cantado por Camané


Se Ao Menos Houvesse Um Dia

João Monge
Casimiro Ramos
(Fado Três Bairros)

Se ao menos houvesse um dia
Luas de prata gentia
Nas asas de uma gazela
E depois, do seu cansaço,
Procurasse o teu regaço
No vão da tua janela

Se ao menos houvesse um dia
Versos de flor tão macia
Nos ramos com as cerejas
E depois, do seu outono,
Se dessem ao abandono
Nos lábios, quando me beijas

Se ao menos o mar trouxesse
O que dizer e me esquece
Nas crinas da tempestade
As palavras litorais
As razões iniciais
Tudo o que não tem idade

Se ao menos o teu olhar
Desse por mim ao passar
Como um barco sem amarra
Deste fado onde me deito
Subia até ao teu peito
Nas veias de uma guitarra

cantado por Camané


Rua do Capelão

(Julio Dantas/Frederico De Freitas)

Ó rua do Capelão
Juncada de rosmaninho
Se o meu amor vier cedinho
Eu beijo as pedras do chão
Que ele pisar no caminho.

Há um degrau no meu leito,
Que é feito pra tisomente
Amor, mas sobe com jeito
Se o meu coração te sente
Fica-me aos saltos no peito.

Tenho o destino marcado
Desde a hora em que te vi
Ó meu cigano adorado
Viver abraçada ao fado
Morrer abraçada a ti.

Amália Rodrigues


Triste Sorte

(João Ferreira Rosa)

Ando na vida à procura
De uma noite menos escura
Que traga luar do céu
De uma noite menos fria
Em que não sinta agonia
De um dia a mais que morreu

Vou cantando amargurado
Vou de um fado a outro fado
Que fale de um fado meu
Meu destino assim cantado
Jamais pode ser mudado
Porque do fado sou eu

Ser fadista é triste sorte
Que nos faz pensar na morte
E em tudo o que em nós morreu
Andar na vida à procura
De uma noite menos escura
Que traga luar do céu

cantado por Camané, Alfredo Marceneiro


Senhora do Livramento

José Luis Gordo
Alfredo Duarte

Senhora do Livramento
Livrai-me deste tormento
De a não ver há tantos dias
Partiu zangada comigo
Deixou-me um retrato antigo
Que me aquece as noites frias

Senhora que o pensamento
Corre veloz como o vento
Rumando estradas ao céu
Fazei crescer os meus dedos
P´ra desvendar os segredos
Num céu que não é só meu

Senhora do céu das dores
Infernos, prantos, amores
A castigar tanto norte
Porque é que partiste um dia
Sofrendo a minha agonia
E não me roubaste a morte


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